Consciência proto-nacional e representação do “outro” em Os Lusíadas de Camões e na Viagem da Boémia à Terra Santa de Kryštof Harant
DOI:
https://doi.org/10.37334/eras.v16i4.353Palavras-chave:
Luís de Camões, Literatura de viagens, proto-nacionalismo, Estudo comparadoResumo
Este estudo analisa comparativamente Os Lusíadas (1572), de Luís de Camões, e Viagem da Boémia à Terra Santa (1608), de Kryštof Harant, examinando o surgimento de uma consciência proto-nacional em Portugal e nas Terras da Coroa da Boémia. Embora ambos representem viagens a territórios estrangeiros, refletem contextos históricos e socioculturais distintos que moldam a identidade e a perceção do “Outro”. A epopeia camoniana celebra a expansão marítima portuguesa, associada à providência divina e ao ideal cruzadístico, promovendo uma identidade coletiva forte, centrada na figura do rei como símbolo político e religioso. Em contraste, Harant privilegia a fé cristã, a moral e o interesse intelectual por outras culturas, exprimindo uma identidade boémia sobretudo elitista e cultural. Apesar de um eurocentrismo comum, as obras divergem: Camões constrói uma narrativa nacional unificadora, enquanto Harant adota uma perspetiva humanista, sem afirmar uma identidade nacional coesa