MENÇÕES À TRADIÇÃO POPULAR: o papel do precedente na concepção arquitetônica de Lucio Costa
DOI:
https://doi.org/10.37334/eras.v16i3.336Palavras-chave:
Teoria da arquitetura, Modernismo no Brasil, Continuidade histórica, Metodologia de projetoResumo
Este artigo analisa criticamente diversos textos do arquiteto e urbanista Lúcio Costa, destacando as suas referências à tradição popular para compreender a lógica subjacente ao uso do precedente como base da sua conceção arquitetónica. A análise começa pelo texto de 1937 de Costa, «Documentação Necessária», que reforça o papel da tradição popular. Isto complementa o texto de 1934, «Razões da Nova Arquitetura», um trabalho fundacional para a arquitetura moderna brasileira que se apoiava sobretudo na tradição erudita. Em conjunto, estes textos estabeleceram os alicerces teóricos de Costa ao equilibrar as referências à tradição vernácula colonial e às tradições académicas clássicas, moldando assim o desenvolvimento da arquitetura moderna no Brasil. Os textos selecionados abrangem o período dos anos 1930 aos anos 1980, oferecendo pistas sobre a forma como o discurso de Costa legitimou a sua abordagem arquitetónica. Costa procurou uma síntese, em vez de simplesmente imitar a tradição vernácula colonial ou romper por completo com o passado, como fizeram muitos dos seus contemporâneos. A sua posição contrasta com a narrativa modernista dominante, que via a arquitetura como uma rutura em relação às referências históricas, privilegiando uma estética universal enraizada na tecnologia e na função. O papel singular de Costa no modernismo brasileiro decorre do seu envolvimento contínuo com precedentes históricos eruditos e vernáculos. O seu pensamento arquitetónico evidencia uma integração deliberada da tradição, assegurando a continuidade ao mesmo tempo que acolhe os princípios modernos.