PANORÂMICA DA CRÓNICA DE COSTUMES N’OS MAIAS: um romance cinematográfico contemporâneo
DOI:
https://doi.org/10.37334/eras.v16i1.324Palavras-chave:
João Botelho, Cinema português, Eça de Queirós, Literatura portuguesa realista, RomanceResumo
O cineasta português João Botelho destaca-se pelo olhar exímio perante a literariedade do texto e pelas transposições cinematográficas de obras canónicas da literatura portuguesa. O filme Os Maias assenta no retrato de Portugal – um lugar-comum no cinema português. Na obra fílmica, estampam-se os quadros social, cultural, político e identitário da sociedade da centúria de Oitocentos e denunciam-se os costumes da alta-roda, através da crítica mordaz e do retrato irónico. A dissecação de Portugal pelo centro nevrálgico lisboeta, ainda que fiel à obra literária, é uma autopsia, em certo grau, desatualizada, pois que o país ganhou novos contornos. A obra fílmica remete, assim, para um cadáver do tempo do Romantismo, cuja feição foge dos tempos hipermodernos.