MENÇÕES À TRADIÇÃO ERUDITA: o papel do precedente na concepção arquitetônica de Lucio Costa
DOI:
https://doi.org/10.37334/eras.v15i1.316Palavras-chave:
Lúcio Costa, Arquitetura Moderna Brasileira, Teoria, história e crítica da arquitetura, Tradição erudita acadêmica, ; Fundamentos do Projeto Arquqitetônico, Fundamentos do Projeto ArquqitetônicoResumo
Este artigo examina criteriosamente diversos textos publicados pelo arquiteto e urbanista Lucio Costa ao longo do tempo, nos quais se evidencia a referência à tradição erudita, com a finalidade de analisá-los criticamente. Para tanto, levantar-se-ão hipóteses que buscam clarificar o foco desta temática, centrada na compreensão das razões da tradição que justificam indícios do papel protagonista atribuído por Costa ao uso do precedente como fundamento de sua concepção arquitetônica. As resenhas aqui encetadas iniciam pela análise do marco teórico que acabou por fundamentar a arquitetura moderna no Brasil, intitulado “Razões da nova arquitetura”, de 1934. Os textos selecionados compreendem o período da década de trinta a cinquenta e seus conteúdos não esgotam o tema deste artigo, porém, representam uma importante mostra quanto ao foco aqui reverenciado, ou seja, verificar como se configura, no pensamento de Costa, o discurso que valida à opção operativa do arquiteto. É, portanto, no conjunto de argumentos introduzidos por Lucio Costa em sua obra escrita que se buscará interpretar as razões que levaram o mestre brasileiro a valorizar a tradição erudita de vertente clássica-acadêmica, e não a deixá-la de lado (ou a escondê-la), como o fizeram muitos arquitetos modernos. Esta última atitude acabou levando, ao menos no discurso mais superficial, à caracterização da arquitetura moderna como instrumento de ruptura com o passado: a condição de modernidade, neste caso, implicaria criar obras inéditas, fundamentadas em questões tecnológicas e pragmáticas das quais emanaria uma estética original – um estilo internacional – descolado de tempo e lugar. Diferentemente, Costa, como já foi mencionado, assume um papel singular nesse contexto da arquitetura moderna, precisamente por jamais se afastar do estudo explícito de precedentes enraizados tanto na produção erudita do passado como nas tradições populares a ela subjacentes.